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Opinaria é um blog simples, directo e espero que útil para muitos. É um espaço de livre opinião. Onde todos podem deixar o ar da sua graça, a sua marca, escrevendo um pensamento, uma teoria ou uma simples opinião. Será sem dúvida um espaço de debate... um espaço para todos... verdadeiramente democrático. Contudo, para que assim seja, precisa de participação e muitos temas.

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- "Sociedade" por Filipe Rocha Vieira - Dias 5 e 20
- "Educação" por Fernando Arrobas da Silva ao 8º dia do mês

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Sunday, December 31, 2006

Cultura vs Cultura

Ler muito e com critério. Ir ao cinema, ao teatro e a espectáculos culturais. Participar activamente em qualquer tertúlia. Indicar, com clareza, quais as preferências musicais. Visitar museus. Curiosidade na receita dos pastéis de Belém. Saber quem foi o Campeão do Mundo de Futebol em 1966, saber o que foi o 25 Abril de 1974: tudo é cultura!

Quero acreditar que o evoluir cultural do mundo moderno caminha neste sentido. A vida activa de qualquer ser quotidiano pode conter todas estas, e mais, componentes.
É certamente impossível, ou muito difícil, mantermo-nos a par de tudo. Mas não devemos ser restritos à nossa especialidade profissional.

Eu não sou, e sou, adepto dos tecnocratas, pois técnico, em sentido lato, “pertence exclusivamente a uma arte ou a uma ciência”. No meu entender, julgo que devemos ser autênticos especialistas e de elevada cultura na nossa área, mas devemos também procurar ser pessoas esclarecidas e interessadas nas mais diversas.

Poucas profissões haverão no mundo tão exigentes como ser médico. O poder de decidir sobre o sofrimento, e muitas vezes a vida e a morte das pessoas, é um poder que mais nenhuma classe tem. E a responsabilidade da perfeita convicção aquando da proposta de uma terapêutica médica também o é.
A formação é contínua e exigente. Semanalmente, quase diariamente, e passo a passo, sempre, com a mesma, necessária, seriedade e rigor. A quantidade de literatura médica é infindável e os congressos, mesmo apesar de interesses comerciais e marcações turísticas, são muitos.

Assim, pergunto-me se será possível, após a leitura sobre a descoberta, de investigadores da Faculdade de Medicina de São Paulo a partir da montagem de uma árvore genealógica, de uma nova doença mortal, designada provisoriamente por neuropatia hereditária motora e autonómica progressiva que se caracteriza por fraqueza dos membros superiores, inchaço da barriga, constipação intestinal e aumento do nível de colesterol, ter disposição para iniciar o novo livro de José Saramago?

Não será certamente o mais apetecível. É um facto que há 30, 40 anos a cultura médica e outras formas de cultura eram mais compatibilizáveis. A literatura médica era incomparavelmente menor.
Hoje, a hiper-especialização e a velocidade vertiginosa (e a competição!) dos progressos da Medicina impõem outros ritmos de leitura e dedicação.

A culpa é da profissão? É da vontade? Quanto a mim, o maior entrave são os horários de trabalho descabidos e, a consequente, falta de tempo para os mais diversos lazeres não relacionados com a prática profissional.
Sobretudo devidos a uma enorme falta de médicos no país: o sector da saúde em Portugal denuncia que para cada 100 mil pessoas, existem 324 médicos, valor extremamente baixo e que obriga à contínua recruta estrangeira.
O próprio bastonário da Ordem dos Médicos admite: “Os próximos 9 ou 10 anos vão ser complicados, pois vamos ter de exigir aos actuais médicos portugueses que trabalhem mais (!) e temos que, provavelmente, inventar formas de prestação profissional que sejam mais estimulantes, nomeadamente através do estabelecimento de convenções”.
A medicina é outra quando praticada por médicos cultos e em Portugal existe essa grande tradição, que é de ansiar que permaneça. Temos, entre muitos, o exemplo da comprovada genialidade de Adolfo Correia da Rocha, o nosso saudoso Miguel Torga, médico-poeta.

Todavia, com este novo “pedido” e obrigação para com a pátria em crise, quantas vezes, a família será subalternizada. Será lógico, então, que a cultura o seja ainda mais.
Penso que é tempo de o país compreender a necessidade de transversalidade de interesses e conhecimentos inerentes a uma personalidade humana, para que este evolua.

Mas afinal, – perguntavam-me há dias, a propósito de eu defender afincadamente este tema na mesa redonda – o que é que quer um doente quando no seu sofrimento procura um médico para o ajudar? A sua competência profissional ou um cidadão actualizado sobre literatura portuguesa, estrangeira ou outro tema qualquer não relacionado com a sua profissão? “Os pacientes apenas querem que lidem com eles como lidariam com um amigo”, foi a minha resposta.

Fernando Arrobas da Silva

Thursday, November 23, 2006

A Imigração

1. Quero começar por justificar o atraso da minha participação por ter decidido esperar pela conferência que se realizou sobre imigração no dia 21 de Novembro na Fundação Caloust Glubenkian, na qual participaram entre outros o Vice-Presidente da Comissão Europeia o italiano Franco Frattini e o nosso Ministro da Administração Interna António Costa. A questão da imigração e dos seus problemas inerentes afigura-se de grande importância no momento actual, mas também numa prespectiva de planeamento do nosso futuro, a nível do país, da Europa e do mundo. Desde que a espécie humana existe que se verificam fluxos migratórios, começando pelos movimentos nómadas motivados pela necessidade de sobrevivência e incapacidade tecnológica de fixação geográfica, passando pela ocupação de territórios alheios na busca de maior poder e riqueza, pelo tráfico de escravos como motor do dinamismo económico dos grandes impérios e da colonização levada a cabo pelos mesmos, e acabando nos dias de hoje com o exôdo na busca de melhores condições de vida.


2.O Homem sempre sentiu a necessidade de se deslocar físicamente através do globo. Mas não sendo uma questão nova, a imigração afigura-se hoje com uma maior complexidade, derivada não só do seu maior volume (cerca de 200 milhões de imigrantes), da sua natureza (cerca de 600.000 a 800.000 pessoas traficadas por ano,maioritáriamente para o negócio do sexo), como também pelas maiores dificuldades e contingências da integração dos imigrantes nos países de acolhimento e o choque cultural daí resultante. Além do mais, e no que concerne à Europa, durante séculos o fluxo migratório inter-continental realizou-se no sentido Europa-exterior, mas nos últimos 30-40 anos a situação inverteu-se, e na actualidade milhares de pessoas todos os anos, legal ou ilegalmente, entram no nosso continente em busca de melhores oportunidades. Portugal é um exemplo claro disso mesmo, pois sendo desde sempre um país de emigrantes, afigura-se agora como um país de imigrantes(primeiro os de Africa, depois os do Brasil e por último os de Leste).


3. As razões que motivam a imigração são bastante claras. De um lado temos países pobres, com precárias condições de vida e saúde, baixa qualidade de ensino e formação profissional, sistemas políticos instáveis, corruptos e muitas vezes opressivos, e altas taxas de fertilidade(5,4 na Africa Sub-Sahariana). As pessoas destes países fogem sobretudo da pobreza, mas também das doenças, da perseguição política e cada vez mais são capturadas por redes de tráfico internacional que nesses países actuam impunemente. Do outro lado temos países desenvolvidos, com economias de mercado livre, melhores condições de vida e de saúde, oportunidades de formação e realização profissional, estabilidade política associada a regimes democrátricos e de defesa dos direito humanos, mas também envelhecidas e com baixas taxas de fertilidade(1,4 na Europa). Estes países vêem com bons olhos a entrada de mão de obra barata e jovem de forma a suprir lacunas na sua rede de força de trabalho e no rejuvenescimento da sua população. Neste contexto a Europa tem que escolher com ponderação as suas políticas de imigração, as suas políticas de integração e coesão social e a sua estratégia de resolução dos seus problemas internos.


4. Rejuvenescer a população, povoar o interior e reforçar a população activa são objectivos válidos, mas cuja boa resolução não passa pelo recurso á imigração massiva. Os países com maior grau de desenvolvimento têm para com os países mais pobres o dever de os ajudar no seu progresso e crescimento. Se a qualidade de vida e a riqueza aumentar nestes países, então a necessidade de imigrar diminuirá. Há no entanto países que na prática agem de forma hipócrita, proclamando discursos de solidariedade e apoio económico por um lado, e adoptando medidas porteccionistas por outro, pois têm a necessidade de proteger os seus agentes económicos e de escoar os seus produtos. Veja-se o caso do sector têxtil, em que não foi possível criar um mercado livre com a China devido á incapacidade de concorrência das industrias Europeias.


5. A solução passa portanto pelo aumento efectivo dos níveis de riqueza e desenvolvimento globais, envolvendo os Estados, as organizações internacionais e empresas privadas que se devem internacionalizar. É também necessário estancar os fluxos migratórios ilegais, e erradicar o tráfico Humano, os trabalhos forçados e infantil e o crime organizado. Um trabalhador legal tem mais condições e mais direitos do que um ilegal, e é portanto também do seu interesse a sua regularização para que não seja facilmente explorado. A extensão da livre circulação de pessoas aos dez novos países da UE num futuro próximo afigura-se como um desafio delicado pela maior facilidade de movimentação das redes de crime organizado que aí proliferam.


6. Por fim é decisivo proceder á efectiva integração dos imigrantes nas comunidades de acolhimento. Um aumento dos salários, a regularização do estatuto legal dos imigrantes, a aprendizagem da língua e costumes locais e uma participação social e política activa são vitais nesse âmbito. O Estado, as autarquias, as instituições de solidariedade social e a sociedade civil em geral também desempenham um papel fulcral nesse sentido, promovendo o diálogo e a aproximação ente culturas. Mas também a atitude dos próprios imigrantes tem que ser pro-activa, de forma a que não se fechem em ghetos e comumidades fechadas sobre si próprias, habitando em bairros e frequentando escolas segregadas, fomentando a exclusão social, a xenofobia e a intolerância. Este aspecto é por seu turno determinante também na integração da segunda geração, para que esta adquira uma entidade ligada ao país e á cultura onde nasceram, sentido-se bem inseridos e com igualdade de oportunidades e de tratamento. Caso contrário cria-se um ciclo vicioso de marginalização e de confrontação.


7. A Europa tem por conseguinte que se unir num esforço comum para a resolução deste problema. Deve apostar em incentivar políticas de natalidade, atenuar as desigualdades sociais e territoriais internas de forma equilibrada, e apostar no ensino e formação profissional. Para suprir necessidades pontuais deve-se recorrer á imigração temporária, que também tráz benefícios para os países de origem que receberão de volta um trabalhador mais qualificado e com maior poder económico. Por sua vez a imigração definitiva deve ser limitada para que seja feita de forma profícua e oportuna. Atingem-se assim objectivos de curto prazo como a contenção da imigração ilegal, de médio prazo como a maior integração, e de longo prazo como o progresso socio-económico global e o rejuvenescimento da população, possibilitando um desenvolvimento sustentável mais justo. Não se pode fugir nem à questão nem ao futuro, portanto é urgente uma actuação concertada e uma maior conscencialização de forma a que não se cometam os mesmos erros do passado,e que se encontrem de facto soluções.

Filipe Rocha Vieira

Monday, November 20, 2006

O mundo automóvel - "Do karting à F1"

Peço desculpa pela minha falha nos 2 últimos artigos. Devido a compromissos profissionais não consegui escrever para o opinaria, que tem realmente tido um sucesso impressionante.
Hoje irei falar do caminho a percorrer desde o karting até à Formula 1, ou das várias soluções noutras categorias tão competitivas como a F1 e que valem realmente a pena.

O karting como se sabe, é uma “escola” ou uma “fábrica de Campeões”, onde apenas dão o salto para os monolugares os que mais se destacaram e melhores resultados atingiram, portanto os melhores.
Requisito numero 1 – o talento natural que nasce com cada um, mas nunca esquecer aspectos técnicos, postura em pista, relação com os patrocinadores ou com a imprensa. São algumas exigências que distinguem os melhores de todos os outros.

A partir do karting, existe todo um percurso que hoje em dia requer uma dedicação a 100%, uma forma de vida em que se tem realmente querer, abdicar de tudo pensar apenas nas corridas.
O passo lógico nos dias de hoje será qualquer coisa do género:- Formula BMW
- Fórmula Renault ou Formula 3 (Euroseries)
- GP2 ou World Séries by Renault
- Fórmula 1

Não quero com isto dizer que todos os outros campeonatos nas fórmulas de promoção não sejam competitivos ou bem organizados. Quero simplesmente dizer que para se chegar ao topo tem de se seguir os caminhos onde estão os melhores. Somente competindo onde estão as referências de cada uma das disciplinas, das diversas gerações, pode ambicionar-se ser um dos melhores e, como os melhores vão para os mais fortes campeonatos, é ali que se deve estar. Não serve andar em campeonatos de segunda, apenas para levar a taça e preencher o curriculum com “Campeão”.Depois, se conseguirem chegar lá a cima (Formula 1), tanto melhor, mas caso isso não acontecer, ficará por certo aumentada a probabilidade de poderem ingressar noutros campeonatos (normalmente GT´s ou Turismos) e aí prosseguirem as suas carreiras de uma forma profissionalizada, fazendo do automobilismo a nossa vida.

Um abraço,
Duarte

Wednesday, November 08, 2006

EDUCAÇÃO - LABIRINTO ACADÉMICO

Ninguém irá perceber como, com o deserto cheio de areia fácil para ser comentada nestes dias (Caro Teixeira, permita-me ter opinião) e as constantes novidades do Apito Dourado, eu fugi a essa trivialidade e me propus antes a falar de Educação.
Principalmente porque se vivem tempos complicados no Ensino Superior: a declaração de Bolonha, a politica a entrar nas Academias, a necessidade de um Maio de 68 para nos tornarmos mais contestatários? Já não vivemos na época em que nada nem ninguém era indiferente.
Terça-feira, 1 de Fevereiro 2004. Dia da oral de Neuro-Anatomia. O despertador tocou às 10.30 da manhã, mas apenas fui acordado pela dedicada Mãe as 11. Durante o banho tentei, com insistência, afastar a ideia do exame das duas da tarde. Tentando disfarçar um nervoso miudinho, antes de sair de casa, bebi ainda um delicioso batido de banana e comi uma sandes de fiambre.
Alguém me aturou nos 30 minutos infernais antes da minha chamada. E após outros 30 minutos, terminou. Mais azar teria sido entrar na sala, tropeçar e partir a cabeça. Saíram-me todas as perguntas que eu não queria. Tinha passado, mas apenas com 12.
Triste, embora conformado com o pouco estudo e com as palavras do Professor a solicitar uma melhoria em Setembro, voltei para o carro. Tinha estacionado à frente da Faculdade de Psicologia. Aí, deparei-me com um grupo de 5 raparigas giríssimas! Pensei: Devia ter vindo para Psicologia. Só me apercebi do peso do meu pensamento quando me sentei no carro e tive um outro: Não, devia era ter ido para direito e seguir a carreira do meu Pai. E depois ainda E a Marinha como o meu Avô. Mas o que eu sempre quis foi Medicina.Estava num labirinto académico: a uma panóplia de factores correspondia uma panóplia de direcções.
Não foi, logo ali, minha intenção recorrer ao “cliché” de criticar políticos, medidas e pressões de lobbies pois acredito que a sociedade urbana portuguesa, toda em conjunto, é que tem vindo a criar uma geração protegida que dificilmente assume compromissos e sem grandes opções de escolhas de futuro e, talvez por isso mesmo, se sinta permanentemente insatisfeita.
Optei antes pela reflexão. Apenas a reflexão me conduziria a uma grande urgência na acção, qualquer que fosse o meu lugar na sociedade.
A reflexão aparece-nos ligada a atitudes mentais que nos são indispensáveis. E é, além disso, uma grande libertação da consciência.
Num instante apercebi-me de que não estava sozinho. Quantos e quantos estudantes do Ensino Superior, com os quais todos os dias me misturo no corrupio insensato do quotidiano, estariam na mesma situação que eu. Confusos, perdidos.
A adicionar, existem também muitos medos, dúvidas, fraquezas e preconceitos, dependentes da personalidade de cada um.
Como é fácil de acreditar, são muitas mais as maneiras de contribuir activamente para o desassossego e o sofrimento mental, do que para o bem-estar e para a harmonia.
E, desse modo, perigosamente, cria-se um mundo onde o futuro pode ser uma interrogação.
Nesse ano, de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 88% dos estudantes candidatos entraram no Ensino Superior. No entanto, apenas 6 em cada 10 conseguiram um lugar na sua primeira opção.
Pela primeira vez desde 1996 (!), a ?barreira? dos 18 valores para entrar em Medicina em Portugal foi quebrada. Ainda assim, apenas em 4 das Universidades.
Embora esta situação represente escassos esforços de melhoria, ainda não é suficiente. Está criado um sistema elitista que, por ironia, chumba estudantes com 17 e aprova outros com 8,42 (nota de candidatura do último aluno colocado no Ensino Superior Público).
Este descalabro dá lugar à desilusão dos alunos e às críticas dos pais e professores.
Sem medo das palavras, na Faculdade de Medicina Dentária, há pouco tempo atrás, estatísticas revelaram que foram 0 os alunos que tinham escolhido o curso de Medicina Dentária como primeira opção. As minhas perguntas são duas: Haverá pior para um estudante, após 18 anos de evolução de conhecimento, do que fazer uma licenciatura contrariado? E aqueles que colocaram Medicina Dentária como 1ª opção, onde estão?
Calculo que contrariados noutro local qualquer!
A situação sobrante desta verosimilhança é a criação de Faculdades transitórias e o desagrado e frustração dos seus discentes que não conseguem encontrar motivação, perdem capacidade de trabalho e desistem. É lógico e compreensível que a entrega não possa ser a mesma quando o seu desejo mais veemente não está a ser realizado.
A arte da felicidade tem muitas componentes e a realização pessoal é uma delas. Sou o primeiro a defender a luta pelo sonho e pela ambição.
Contudo, por vezes, a desilusão, seguida pela conformação, apenas precede algo que pode ser bom.
Nas faculdades há de tudo: os que comem na cantina, os contestatários, os trabalhadores-estudantes, os associativos, os do conselho pedagógico, os desportistas, os bon-vivants e alguns como eu, que julgo que tenho sido de tudo um pouco. Por isso, recorro à expressão ?renascer da esperança?, na tentativa de acordar aqueles que já vão para além da decepção académica e já esqueceram o que é gerar empatia, e o tremendo valor e benefícios da compaixão e da amizade.
Embora momentaneamente ainda estivesse com dúvidas, quando terminei a minha reflexão já sabia o que não queria: Seja ele qual seja, e qualquer a razão que eu lá esteja, não quero é ser indiferente ao meu curso.

Fernando Arrobas da Silva

Monday, November 06, 2006

Dica Goumet - Vinhos e Companhia

Antes de mais, peço desculpa pelo atraso com que envio esta opinião.
Gostava de falar, desta vez, do restaurante Coelho da Rocha, em Campo de Ourique (Lisboa), na rua com o mesmo nome.
Casa com mais de 1 década e propriedade de um antigo empregado do Gambrinus (restaurante também lisboeta, muito famoso e que faz jus à sua fama), conta com uma ementa típicamente portuguesa e da qual vou destacar 2 escolhas.
O restaurante em si não é muito grande, e está dividido em 2 àreas:
1ª à entrada, na zona de bar (agradável enquanto se espera uma mesa vaga, daí recomendar que se possível, marquem mesa) e para mim, a zona onde mais gosto de ficar, pois é mais fresca!
2ª mais para o fundo, escura, fazendo lembrar uma sala antiga, mas não menos agradável que a entrada. Apenas mais quente. O mesmo acontece na ligação entre estas 2.
Cheguei por volta das 13:30 para almoçar, e tive de esperar por mesa ao balcão do bar onde me deliciei com um pratinho de presunto panta negra (sempre bom) e uma lambreta fresquinha.
Aproveitei e fui pedindo uma dose de gambas al ajillo (8€) que chegaram à mesa 5 minutos depois de me ter sentado e após 3 ou 4 torradas de pão saloio muito fininhas e que serviram de óptimo acompanhamento às gambas e ao azeite. Ambas estavam sem dúvida, perfeitas! Fritas por fora, mais moles por dentro e deixavam-se comer maravilhosamente.
Como prato principal, pedimos (é verdade, antes que se assustem, éramos 3!)
1 – Costoletas de borrego fritas acompanhadas de batata frita e arroz branco (10€) que se apresentaram no ponto, e da qual destaco fundamentalmente a qualidade da carne.
2 – Rins “ao Madeira” também com arroz branco, muito solto e saboroso. No entanto, faltava sal e não se notava de maneira alguma o sabor do vinho da Madeira.
Acompanhámos este repasto com Marquês de Borba tinto 2004 (14€) o qual combinou na perfeição com os rins (talvez devido à ausência de vinho da Madeira pois se se notasse, suponho que ficasse confuso) e com as costoletas, mas mostrando-se pouco “amigo” das gambas (sem dúvida que a cerveja aqui teve o papel principal). É um vinho ainda novo mas já está bom para consumir.

Agarrando na idéia que me foi dada da última vez de classificar cada restaurante, o Coelho da Rocha fica com 16 pontos por esta refeição (Escala de 0 a 20), pela falha nos rins e pelo calor constante na sala, mesmo com a existência de um ar condicionado. Qualidade de serviço impecável, e menú extenso, bem como uma carta de vinhos recheada.

Gostava ainda de vos indicar este livro: Guia Tascas de Portugal de Mafalda César Machado numa edição da Inapa em colaboração com a Brisa. É uma iniciativa fantástica e pode servir de ferramenta a todos os comensais. Eu vou utilizá-lo, e ainda vão ver aqui opiniões minhas sobre algumas das tascas apresentadas. Era engraçado começarem também vocês a deixar as vossas opiniões para podermos todos partilhar.
Até à próxima!

Fracisco de Sousa Coutinho

Friday, October 20, 2006

SOCIEDADE - Liberdade de Expressão

1. Quero começar por agradecer ao Bernardo, o impulsionador deste espaço, o convite que me dirigiu para aqui participar através da minha opinião, contribuindo assim para ampliar o campo de debate e de troca de ideias. Ao comunicar por escrito as minhas opiniões e convicções estou a fazê-lo porque quero, mas também porque posso, o que me leva ao tema desta minha primeira participação – a Liberdade de Expressão. Corolário e princípio conformador de toda e qualquer verdadeira sociedade democrática, assume a caracteristica de direito fundamental na maioria das constituições dos países `desenvolvidos`, e nomeadamente na nossa através do artigo 37º, sendo também salvaguardado pela Declaração dos Direitos Humanos no seu artigo 19º. É sob a sua égide, sob a sua protecção e graças à sua consagração constitucional e vigência efectiva que qualquer um de nós se pode expressar. Instrumento valioso na defesa da nossa pessoa e da própria sociedade, possibilita a livre troca de ideias e ideais, embora comportando em si também, pela sua má ou excessiva utilização, certos perigos.

2. Mesmo sendo um direito fundamental, isso não impede que a Liberdade de Expressão seja alvo de certos limites - como a segurança nacional, a ordem pública e a honra pessoal, não podendo atacar outros direitos fundamentais do individuo - e de estar sujeita a certos requisitos – como a conformidade com a lei. Limites e requisitos esses que são impostos como forma de garantir que este principio sirva o seu propósito, o de instrumento de democracia, de liberdade, de sociabilidade e de progresso,e que se evite a instigação, a subversão ou a difamação, referindo alguns exemplos da sua utilização negativa. Este direito é vital para que possa existir em sociedade um espaço em que todos possam debater e discutir qualquer questão ou problema que exista em determinado momento, seja ele de natureza política,social ou cultural. Exemplo de um veículo de liberdade de expressão é o referendo, que mais uma vez se realizará no nosso país sobre a questão da interrupção voluntária da gravidez. Quando realizado num regime democrático e livre, o referendo, porque precedido de um período adequado de debate, torna a participação do individuo mais informada e esclarecida, portanto mais válida.

3. Constata-se portanto que duas das ameaças à Liberdade de Expressão, são o seu controlo ou censura e a sua má utilização. Quanto ao primeiro, como se sabe, é apanágio de qualquer sociedade totalitária, seja ela de esquerda ou de direita, tanto da Rússia soviética como da Alemanha nazi. Mas também foi e pode ser realizada de formas menores e muitas delas legitimas como a liberdade de uma editora de escolher publicar ou não um livro, um telejornal que edita uma entrevista desvirtuando ou descontextualizando o que o entrevistado realmente disse, ou o caso recente da proibição da realização de determinada peça de teatro em Viena. Este último caso ou o dos cartoons no jornal dinamarquês são particularmente delicados pelo momento histórico e político que vivemos, em que é fulcral evitar confrontos e provocações desnecessárias, que fomentem ódios e fracturem o diálogo entre povos e culturas. No entanto, em nome do diálogo, do entendimento e da paz ,não se pode sacrificar precisamente aquilo que pretendemos defender e partilhar, que é esse mesmo diálogo e a liberdade que ele encerra. Tem necessáriamente que haver um ponto de equilíbrio em que não concedamos espaço para que uns imponham os seus medos e as suas sensibilidades derivadas muitas vezes de regras de conduta e ideologias rígidas, sobre os direitos conquistados e essenciais de outros, e em que a dignidade de todos seja salvaguardada. Tal equilíbrio tem que assentar na educação, na informação, no diálogo e na responsabilidade, sendo pacífico que há de facto manifestações de opinião que são abusivas e meramente provocatórias, e cujos autores devem ser responsabilizados. Mas há outras que, por mais irrazoáveis que nos pareçam, são legítimas e têm de ser aceites como resultado da firme defesa de certos direitos e da forma de vida democrática, pois caso contrário corre-se o risco de se frustrar o que se tenta proteger.

4. A censura deriva da falta de crença nas capacidades do individuo, ou na tentativa de controlo e manipulação, mas a censura não é uma solução em si, porque foge sempre à questão que lhe subjaz. No caso da Dinamarca, por mais alarido que se faça em relação aos cartoons e por mais que os proibam, a questão de fundo, que é a emotividade e o extremismo com que é discutido o problema do terrorismo, e das diferenças e nalguns aspectos choque entre a cultura ocidental e a islâmica, desviando a atenção do diálogo e criando conflitos, mantem-se. Tal como nos regimes fascistas a censura e a opressão não afastavam as ideias e convicções que as suas manifestações encerravam, não resolviam os problemas, e esses expandiam-se, cresciam e ganhavam força até que a censura e a opressão não eram mais capazes de impedir que eles se revelassem e se materializassem, como aconteceu em Portugal e em tantos outros países. As pessoas não precisam de ser controladas e protegidas através de lavagens cerebrais ou de semi-verdades, mas sim de ser educadas, informadas, independentes, responsáveis e de viver segura e dignamente. Só assim haverá cada vez mais pessoas esclarecidas, preparadas e munidas do bom senso para saber dialogar e realizar, e cada vez mais governantes capazes de governar e de permitir o progresso.

5. A liberdade de expressão devendo ser utilizada prudentemente por todos, deve-o ser ainda com mais consciência por aqueles que têm cargos de responsabilidade política, que exercem poder, ou que têm o dever de informar. Todos os governantes, pela posição que ocupam e pelo papel que exercem como representantes do povo e como seus líderes, devem ter especial atenção ao que dizem e às consequências das suas palavras, devendo pautar o seu discurso e a sua postura pela rectidão, a correcção e a honestidade pondo os interesses do país ou daqueles que representam em primeiro lugar. Em consonância, também a comunicação social, pelo papel fulcral que desempenha na informação da população, servindo muitas vezes de `fiscalizador` do Estado, e pelo enorme poder que tem na formação da opinião pública, tem o dever e a responsabilidade de informar objectiva e descomprometidamente, tendo sempre por barómetro a verdade e o interesse público e não a luta pelas audiências.

6. Hoje em dia felizmente temos à nossa disposição cada vez mais meios para podermos fugir aos constrangimentos deste direito, sendo a internet a cabeça de cartaz. No entanto, meios como a internet possibilitam também que se retire à liberdade de expressão a inerente responsabilização do individuo perante a sua declaração, ao permitir a criação de sítios, blogs e participação em fórums sem qualquer forma de identificação da pessoa. Este é um terreno propício à divulgação de mensagens puramente destabilizadores, inflamatórias ou apenas difamatórias, sem que haja responsabilização ou punição possível. É um meio útil mas perigoso, que tal como a própria liberdade de expressão comporta em si um paradoxo, que é a possibilidade de, no interesse da liberdade servir de veículo para situações de injustiça e de invasão da liberdade. Esse aliás é também o risco da democracia, que dá voz àqueles que a querem destruir.

7. A minha liberdade de expressão, sendo uma expressão de liberdade em geral acaba onde começa a liberdade do outro, devendo portanto ser exercida dentro de certos limites e de acordo com certos requisitos. É fundamental para qualquer sociedade democrática e motor de entendimento e progresso, devendo ser utilizada com bom senso e responsabilidade, pois pode ao ser mal utilizada atacar outros direitos e traír o seu próprio propósito. Uma opinião expressada torna o seu autor um refém da mesma, consequência a que eu próprio me submeto. Para o bem e para o mal e mais para umas coisas do que para outras, as pessoas tendem a ter memória curta, mas isso é assunto para outro tema.

Filipe Rocha Vieira

Monday, October 16, 2006

Mundo Automóvel - "Interesse pela Fórmula 1"

Doze anos passaram sobre a trágica morte de Ayrton Senna, um dos mais notáveis pilotos de sempre. Mais de uma década ao longo da qual a Formula 1 tem vindo a perder interesse, de forma recorrente, em grande parte devido à quase total ausência de pilotos carismáticos. Um observador menos avisado que hoje em dia olhe para a grelha de partida de um Grande Prémio, apenas encontrará dois ou três nomes: Schummacher, Alonso e pouco mais. Isto por agora, porque para o ano nem Schummacher teremos, portanto a tendência é para monopolizar ainda mais as classificações. Faltam pilotos como Prost, Mansell, Pirquet, Villeneuve, por exemplo. É que, na década de 90, Senna disputava em pista (e não só) com pilotos de grande nível e, quando terminava uma corrida em primeiro conhecia-se o nível e o nome dos vencidos. Hoje em dia o Alonso e o Schummacher ganham corridas atrás de corridas e, sem desprimor, quase temos de fazer um esforço de memória para nos lembrarmos que o terceiro foi o Button, o quarto foi Fisichella e o quinto foi Trulli.

Ao pretenderem (Max Mosley /Bernie Ecclestone) que a Formula 1 seja, acima de tudo um negócio, um espectáculo televisivo, com horas mais certas do que as que dá o Big Bem, entrevistas marcadas com semanas de antecedência, um rigoroso controlo de acesso à comunicação social, em pistas assépticas, com pilotos e carros o mais longe possível das multidões e com investimentos descomunais (apresentados abaixo), os “homens que mandam” neste desporto estão a contribuir, decididamente, para a sua “morte” a médio prazo.


Lista dos orçamentos das equipas por ano (2006)
*fonte: Revista Business F1

Maclaren: US$ 402 m
Toyota: US$ 383 m
Honda Racing: US$ 371 m
BMW: US$ 368 m
Ferrari: US$ 319 m
Renault: US$ 292 m
Red Bull Racing: US$ 195 m
Williams: US$ 130 m
Super Aguri: US$ 92 m
Spyker Racing: US$ 74 m
Toro Rosso: US$ 64 m

Duarte Felix da Costa